
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), já indicou a interlocutores que, caso seja reeleito para mais quatro anos de mandato, não deve promover uma grande reformulação n0 secretariado e que as trocas feitas nos últimos meses já foram pensadas para assegurar continuidade em eventual novo ciclo.
Uma das principais dúvidas é em relação à Secretaria da Segurança Pública (SSP). Após Guilherme Derrite (PP) deixar a pasta, para disputar a eleição, Tarcísio nomeou o delegado Osvaldo Nico, até então secretário-executivo, como titular. O coronel Henguel Ricardo Pereira, que era o chefe da Defesa Civil, assumiu o cargo de nº 2 da secretaria.
Aliados do governador afirmam que a tendência é que Henguel seja promovido a secretário no caso de reeleição, embora a manutenção de Nico no posto não seja descartada. Próximo a Tarcísio, o coronel é um desafeto de Derrite e tem promovido mudanças em cargos estratégicos da Polícia Militar que haviam sido nomeados pelo antecessor.
Outro que entrou recentemente no governo é Geraldo Mello Filho (Agricultura), no lugar de Guilherme Piai (Republicanos), que disputará uma vaga na Câmara dos Deputados.
A permanência ou não dos secretários também dependerá das costuras com os partidos da coligação pela reeleição do governador, embora Tarcísio costume dizer a auxiliares que busca blindar a estruturação do secretariado de pressões partidárias.
O governador também tem indicado que pode empoderar ainda mais a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), Natália Resende. Chamada de “supersecretária”, Natália é considerada o principal quadro técnico da gestão e liderou o processo de desestatização da Sabesb, tida como a “joia da coroa” do governo Tarcísio.
A secretária foi escalada para coordenar o plano de governo da campanha de reeleição. A interlocutores, Tarcísio diz enxergar potencial eleitoral em Natália, e a tendência é que ele passe a delegar mais responsabilidades a ela no eventual segundo mandato. Publicamente, Natália sempre negou pretensão de disputar eleições.
Sucessão em 2030
Embora publicamente ninguém fale sobre sucessão neste momento, já que nem mesmo a reeleição está garantida, Tarcísio tem, neste momento, o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), como o preferido para a eventual sucessão em 2030.
Nunes, inclusive, não gostou, a princípio, do movimento do governador de articular a troca de partido do seu vice, Felício Ramuth, do PSD para o MDB. A mudança foi feita para Ramuth ter a legenda garantida para ser o vice na chapa de reeleição, o que o PSD não lhe garantia.
Caso seja reeleito, Ramuth será o vice-governador de um segundo mandato, o que naturalmente o colocará em boa posição para disputar a cadeira de governador em 2030. Com chance, inclusive, de ser o candidato já como governador, uma vez que Tarcísio poderá deixar a gestão em abril, caso seja candidato à Presidência da República no próximo pleito.
Diante desse cenário, Tarcísio conversou com Nunes antes de sacramentar a negociação com o MDB, argumentando que Felício é um político de perfil conciliador e de cumprir missões, em sinalização de que, embora ainda distante, o projeto de Nunes ser o candidato ao governo em 2030 não deve ter em Ramuth um empecilho.
Apesar desses sinais, o entorno do governador e seus aliados dizem que essa conversa ainda é prematura e, em quatro anos, outras figuras podem se posicionar para a disputa da sucessão.
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