quarta-feira, 1 de novembro de 2017

MATADOR DE FACÇÃO OFERECEU R$ 1,5 MIL A POLICIAIS PARA NÃO SER PRESO

Boca Preta é investigado por seis mortes; ele foi preso num carro do Uber.

Até agora, a polícia atribui a ele seis homicídios, mas o número pode chegar a, pelo menos, dez execuções. “Acreditamos que o número pode ainda ser bem maior. Ele é muito frio”, disse a delegada Milena Calmon, da 1ª Delegacia de Homicídios, em relação a Matheus Roberto Costa Souza, 25 anos, o Boca Preta, apresentado à imprensa na manhã desta terça-feira (31). Ele tinha três mandados de prisão decretados pela Justiça por homicídios.

Matheus tinha o rosto estampado na carta Oito de Copas do Baralho do Crime. Ele foi preso numa bltiz da Polícia Militar na tarde desta segunda-feira (30), no bairro de Nazaré, quando era transportado num carro do Uber (ver abaixo). No momento da prisão, ele tentou subornar os policiais com R$ 1.500 para não ser levado ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), mas acabou sendo autuado por suborno.

Boca Preta atuava na região da Federação(Foto: Alberto Maraux/SSP)

De acordo com as investigações, Boca Preta é um dos matadores da facção Bonde do Maluco (BDM) no bairro do Engenho Velho da Federação.

“Ele matava a mando de dois traficantes que cumprem pena no Complexo Penitenciário da Mata Escura. É um dos matadores do grupo”, declarou a delegada, em referência a Alessandro Nunes Mercês, o Leozinho, e Elias Borges dos Santos, o Canela. 


Matheus cometia as execuções com outros dois matadores do grupo: Luciano de Jesus Madre, o Benga, e Eric Santos Argolo, o Lourinho, ambos também com prisões preventivas decretadas pela Justiça.

Do bando, já estão presos: Caíque Pereira Santos, o K9 ou P3, Wiliam dos Santos Santana, o Lacoste, Antônio Paulo de Jesus Silva Júnior, o Magaiver, e Adílio de Oliveira Ribeiro.

Dois suspeitos estão foragidos 

(Foto: Divulgação)

Mortes
Boca Preta tinha três mandados de prisão preventiva decretados pela Justiça referentes a seis homicídios no Engenho Velho da Federação. Em janeiro deste ano, ele e alguns comparsas mataram o ex-parceiro Paulo Sérgio Santos Nascimento, na Rua Edith. “A ordem foi dada por Leozinho. Paulo tinha uma dívida de drogas com a facção. O fato de não ter pago foi o motivo para matá-lo”, contou a delegada Milena Calmon, da 1ª DH. 

No mês julho, o acusado participou, segundo a polícia, do assassinato do barbeiro Edson Carvalho de Jesus, na Rua Dulce. “Eles acreditavam que a vítima era um informante da polícia, que a vítima havia passado informações aos policiais, que resultou na morte de um integrante do grupo, chamado Forró”, disse a delegada. 

Ainda conforme a polícia, o traficante também participou da chacina de quatro ex-integrantes da facção ainda em julho. Foram mortos: Jackson Ramos de Almeida, Alexandre Patrick Silva dos Santos, Reinaldo Cardoso dos Santos e Luciano de Sousa Santos Filho.

“Eles romperam com a facção e queriam atuar de forma independente. Por isso que Leozinho e Canela ordenaram as execuções”, declarou o delegado Odair Carneiro, da Delegacia de Homicídios Múltiplos (DHM). 


Dias depois, uma operação policial com o objetivo de combater a atuação de duas facções criminosas no Engenho Velho da Federação terminou com um suspeito morto e mais nove pessoas presas.

Inocência
Questionado sobre a acusação de ser um dos matadores do BDM no Engenho Velho, Matheus negou.

“Me envolveram numa laranjada. Nem sei porque a polícia está dizendo tudo isso de mim. Não fiz nada disso. Sou inocente”, alegou. 


Matheus contou ainda que só foi preso uma vez. “Fiquei preso por porte ilegal de arma. Estava com um revólver 38. Nunca matei ninguém. Nunca dei tiro na polícia. Era para me defender do pessoal do Forno, o pessoal de Kékeu e Henrique (chefes do Comando da Paz que brigam pelo controle do tráfico no bairro)”. Segundo a polícia, Boca Preta responde ainda a oito inquéritos por tráfico de drogas.

                          PRISÃO

A captura de Boca Preta ocorreu durante uma blitz da Polícia Militar em Nazaré, por volta das 15h30 desta segunda (30). Ele estava na companhia do irmão e de um cunhado em um Uber, quando o veículo foi parado por policiais da 2ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM/Barbalho).

“Um dos policiais viu quando ele tinha acabado de quebrar um celular durante a revista no carro. Então, ao saber que ia ser levado para o DHPP, ofereceu R$ 1.500 aos policiais pela liberdade, que cumpriram seu dever e ainda o autuaram em flagrante por suborno”, declarou o major Marcelo Adans, comandante da 2ª CIPM. 

O irmão e a cunhada de Matheus, além do motorista do Uber, foram liberados. “Não tinha nada contra eles”, disse o major.

                    VIOLÊNCIA

Em agosto, os ônibus deixaram de circular no Engenho Velho após o assassinato do pintor Alisson Gonçalves Conceição da Silva, 19 anos. Moradores contaram que por volta das 11h30 do dia 1º, quatro policiais militares chegaram no bairro, na comunidade do Forno, para fazer uma operação, mas que foram agressivos com os moradores.

A Polícia Civil informou que Alisson foi morto por homens encapuzados, que teriam arrastado o corpo do jovem até o local onde os investigadores o encontraram. O homicídio ocorreu na Rua da Lama e as testemunhas ainda serão ouvidas.

Dois dias depois, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) ocupou o bairro com 180 policiais, entre civis e militares, divididos em 20 grupos posicionados em pontos do entorno do bairro, a exemplo da Caixa d’Água, Lajinha, Forno e do Vale da Muriçoca.

Fonte: Correio 24 Horas

"MUITOS VICIADOS FICAM DEVENDO A TRAFICANTES, EM TROCA DA DIVIDA, ELES VIRAM MATADORES DE ALUGUEL."

POSTADO POR: LUCIANO MELO - 01/11/2017

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